Falei, em postagem anterior, que mudanças na alimentação podem influenciar positivamente na reprodução. Descobri, depois de muitas leituras, que muitas mulheres com infertilidade engravidaram após sessões de acupuntura. Lógico que fui buscar no querido pubmed, alguma evidência sobre isso, e EXISTE. Há vários trabalhos que estudam essa relação. É lógico que não será a salvação de todas nós, mas se pode influenciar positivamente, porque não tentar?
Nessa semana tive minha primeira consulta com o médico acupunturista, relatei tudo e mais um pouco sobre minha vida e sobre o processo que eu e minha esposa estamos fazendo. Ele ouviu tudo e logo perguntou se eu tinha recebido alguma indicação, eu disse que não e ele falou que era o quarto caso de casais fazendo FIV, no mês, que o procuravam para fazer o tratamento. Fui falando logo que eu sabia da existência de pontos abortivos e ele me tranquilizou. Sim, eu sabia que ele sabia disso, mas eu precisava falar.
Para quem não sabe, acupuntura auxilia no fluxo sanguíneo do útero, tornando a parede do órgão mais propícia ao embrião e auxilia na diminuição da ansiedade. Mas os mecanismos que explicam com ela realmente atua, não estão elucidados. É importante começar o tratamento dois meses antes de engravidar e fazer duas sessões no dia da transferência, antes e depois. Após a transferência, não fazer mais sessões até acabar o primeiro trimestre de gravidez.
Eu já estou fazendo, Mama B vai começar. Se você também está fazendo e tem mais conhecimento sobre o assunto, divida conosco. Abraços a todos!
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
Medos
Sempre fui uma pessoa muito forte. E que fique claro: Forte, antes de todo esse processo. Hoje, poderia dizer que estou muito sensível e tenho muitos medos, todos relacionados à FIV e gravidez. Meus medos são imensos e inúmeros, e como é bom poder falar deles aqui, sem que eu saiba que há alguém me julgando. Divido com minha companheira muitos dos meus medos, mas tento resguardá-la disso para não deixá-la nervosa ou ainda mais apreensiva.
Então aqui irei falar tudo o que não tenho coragem de falar para ninguém. Tenho sim, medo de que a Mama B não tenha óvulos suficientes e de qualidade, medo de que a FIV não dê certo, medo de que eu não consiga engravidar depois de diversas FIVs, tenho medo de um Beta negativo nessa nossa primeira tentativa, tenho mais medo ainda de nunca poder ser mãe, mas o maior medo de todos é perder, algum dia, meu filhinho, dentro de mim. Um aborto é uma das maiores dores que um casal pode ter. Mas quaisquer dessas coisas podem acontecer. Nunca estaremos preparados para nada disso. E se acontecer, você precisará se manter vivo. Não há como fugir da dor. A dor é inevitável. E se ela vier, é necessário sim ser assertiva e sentí-la, pior é tentar se manter dura e somatizar toda a dor no futuro.
Não estou preparada para a dor. Ninguém está preparada para isso. Mas me apego com tudo e com todos que emanam amor, e, se um dia ela vier...terei o apoio de uma rede de amor, seja dos meus familiares, seja da minha esposa, seja das minhas amigas virtuais que tanto me ouvem.
Uma dessas amigas disse algo tão profundo, grudei nessa frase como uma criança que não larga do brinquedo preferido... Conversando com minha provável futura doula, e falando um pouco dos meus medos...ela disse o seguinte: Mama, a primeira lição para o parto é: Confia e entrega. Essas palavras estão dentro de mim e falo em voz alta, falo quando estou tomando banho, como um mantra. Quando sinto medo, esses medos que futuras mães têm e mesmo as já mamães têm...eu respiro fundo, fundo, muito fundo e repito em minha mente, engolindo cada letra e deixando-as entrarem por minhas artérias e irem para o meu coração e mente, para então fazerem parte de tudo o que sou. Confia e entrega. Não há lição mais sublime que essa, neste momento tão mágico e de tamanha tensão. Confia. Entrega. Confia e entrega. Confie e se entregue.
Então aqui irei falar tudo o que não tenho coragem de falar para ninguém. Tenho sim, medo de que a Mama B não tenha óvulos suficientes e de qualidade, medo de que a FIV não dê certo, medo de que eu não consiga engravidar depois de diversas FIVs, tenho medo de um Beta negativo nessa nossa primeira tentativa, tenho mais medo ainda de nunca poder ser mãe, mas o maior medo de todos é perder, algum dia, meu filhinho, dentro de mim. Um aborto é uma das maiores dores que um casal pode ter. Mas quaisquer dessas coisas podem acontecer. Nunca estaremos preparados para nada disso. E se acontecer, você precisará se manter vivo. Não há como fugir da dor. A dor é inevitável. E se ela vier, é necessário sim ser assertiva e sentí-la, pior é tentar se manter dura e somatizar toda a dor no futuro.
Não estou preparada para a dor. Ninguém está preparada para isso. Mas me apego com tudo e com todos que emanam amor, e, se um dia ela vier...terei o apoio de uma rede de amor, seja dos meus familiares, seja da minha esposa, seja das minhas amigas virtuais que tanto me ouvem.
Uma dessas amigas disse algo tão profundo, grudei nessa frase como uma criança que não larga do brinquedo preferido... Conversando com minha provável futura doula, e falando um pouco dos meus medos...ela disse o seguinte: Mama, a primeira lição para o parto é: Confia e entrega. Essas palavras estão dentro de mim e falo em voz alta, falo quando estou tomando banho, como um mantra. Quando sinto medo, esses medos que futuras mães têm e mesmo as já mamães têm...eu respiro fundo, fundo, muito fundo e repito em minha mente, engolindo cada letra e deixando-as entrarem por minhas artérias e irem para o meu coração e mente, para então fazerem parte de tudo o que sou. Confia e entrega. Não há lição mais sublime que essa, neste momento tão mágico e de tamanha tensão. Confia. Entrega. Confia e entrega. Confie e se entregue.
Caminhos
Tantas coisas aconteceram. Realmente, eu teria que atualizar o blog todos os dias se quisesse falar sobre tudo e com riqueza de detalhes. Sei que isso é importante para todas, assim como foi importante para mim ler o relato das outras famílias homoafetivas, mas realmente não terei tempo de fazer isso. Então peço desculpas desde já por postar somente as informações mais relevantes.
Desde a primeira consulta com o médico, fizemos todos os exames. Sempre acreditei que eu e a Mama B não tivéssemos nenhum problema, e foi triste constatar o contrário. Descobri que tenho problemas na tireóide, mas graças a Deus, útero saudável. Já Mama B tem mioma, prolactina e FSH acima dos níveis e também problema na tireóide. Tudo isso influencia demais em uma FIV. Resolvemos tentar mesmo assim, pois os níveis não estavam absurdos. Já estou tomando meu Puran T4 e fazendo acompanhamento com endocrinologista, pois tireoidite pode levar a aborto ou bebês com diversos problemas.
Temos uma esperança imensa em nossos corações, mas temos também os pés no chão, então temos planos B, C ou D. O Universo irá se encarregar de tudo.
Já que faremos ROPA, Mama B ficou encarregada de todo o volume hormonal inicial, pois ela doará os óvulos. Já está tomando dois diferentes hormônios para regularizar a menstruação e dia 5 ou 6 de setembro irá menstruar. Dia 10 de setembro voltaremos à clínica para fazer nossa primeira US lá e avaliar nossos folículos. Nossa ansiedade agora é saber como ela irá reagir à estimulação ovariana, se tudo der certo, ela continuará a estimulação, caso não, tentaremos comigo. Isso é devido ao FSH e prolactina elevados, que podem ser indício de dificuldade em ovular. O que me mantém mais calma é que ela tem o ciclo normal e nenhum sintoma clínico como os encontrados em mulheres que não ovulam.
Paramos totalmente com a ingestão de glúten e leite. Álcool, café, chás, chocolates, condimentos, nem pensar. Começamos uma terapia com pólen in natura e estamos ingerindo castanha do pará. Tudo isso melhora o nosso sistema imunológico. Para quem tem problema na tireóide, cortar glúten e leite é fundamental. Para quem não tem problema na tireóide e tem dificuldades em engravidar, também é bom, pois equilibra nosso sistema imunológico. Há evidência científica sobre tudo isso, procurem e acharão. Estamos fazendo de tudo para aumentarmos nossas chances. Pode dar certo, ou não, mas ao menos tentamos.
Outra coisa que aconteceu de muito especial, foi a escolha do doador anônimo do sêmen, pela PROSEED. Foi um momento mágico, lindo...onde nos conectamos com todas as forças do bem envolvidas neste processo, agradecemos e pedimos a abertura dos caminhos para que nossa estrelinha chegue com muita luz.
Dividam conosco as experiências e dúvidas de vocês. Logo volto para contar mais. Abração!
Desde a primeira consulta com o médico, fizemos todos os exames. Sempre acreditei que eu e a Mama B não tivéssemos nenhum problema, e foi triste constatar o contrário. Descobri que tenho problemas na tireóide, mas graças a Deus, útero saudável. Já Mama B tem mioma, prolactina e FSH acima dos níveis e também problema na tireóide. Tudo isso influencia demais em uma FIV. Resolvemos tentar mesmo assim, pois os níveis não estavam absurdos. Já estou tomando meu Puran T4 e fazendo acompanhamento com endocrinologista, pois tireoidite pode levar a aborto ou bebês com diversos problemas.
Temos uma esperança imensa em nossos corações, mas temos também os pés no chão, então temos planos B, C ou D. O Universo irá se encarregar de tudo.
Já que faremos ROPA, Mama B ficou encarregada de todo o volume hormonal inicial, pois ela doará os óvulos. Já está tomando dois diferentes hormônios para regularizar a menstruação e dia 5 ou 6 de setembro irá menstruar. Dia 10 de setembro voltaremos à clínica para fazer nossa primeira US lá e avaliar nossos folículos. Nossa ansiedade agora é saber como ela irá reagir à estimulação ovariana, se tudo der certo, ela continuará a estimulação, caso não, tentaremos comigo. Isso é devido ao FSH e prolactina elevados, que podem ser indício de dificuldade em ovular. O que me mantém mais calma é que ela tem o ciclo normal e nenhum sintoma clínico como os encontrados em mulheres que não ovulam.
Paramos totalmente com a ingestão de glúten e leite. Álcool, café, chás, chocolates, condimentos, nem pensar. Começamos uma terapia com pólen in natura e estamos ingerindo castanha do pará. Tudo isso melhora o nosso sistema imunológico. Para quem tem problema na tireóide, cortar glúten e leite é fundamental. Para quem não tem problema na tireóide e tem dificuldades em engravidar, também é bom, pois equilibra nosso sistema imunológico. Há evidência científica sobre tudo isso, procurem e acharão. Estamos fazendo de tudo para aumentarmos nossas chances. Pode dar certo, ou não, mas ao menos tentamos.
Outra coisa que aconteceu de muito especial, foi a escolha do doador anônimo do sêmen, pela PROSEED. Foi um momento mágico, lindo...onde nos conectamos com todas as forças do bem envolvidas neste processo, agradecemos e pedimos a abertura dos caminhos para que nossa estrelinha chegue com muita luz.
Dividam conosco as experiências e dúvidas de vocês. Logo volto para contar mais. Abração!
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Fivete
Participo de vários grupos sobre reprodução assistida e famílias homoafetivas no facebook, o que me ajuda muito com diversas dúvidas. Nada melhor que trocar figurinhas com quem está trilhando o mesmo caminho ou já trilhou. As dúvidas são muitas...
Mas achei bastante curioso como as meninas se tratam por lá...são tentantes ou fivetes, ri muito quando vi esses termos pela primeira vez. Há até grupos de oração de fivetes e eu já me imaginei ajoelhada naquela hora marcada por elas, fazendo uma oração para que meu presentinho venha logo. Mas ainda estou na imaginação...
Pois bem, sou uma fivete! E quem nunca passou por isso não pode imaginar como todo dia surge uma dúvida nova, um acontecimento novo...são muitas emoções e informações novas o tempo todo. Não consigo pensar em outra coisa e isso me deixa sem foco para executar bem o meu trabalho. Estou tentando não ler tanto as postagens nos grupos, pois já me peguei com uma lista prontinha de patologias que podem atrapalhar nosso intento e exames para verificar essas patologias e tive que me esforçar para não largar essa lista na frente do médico e dizer: Quero agora todos esses encaminhamentos!!! Hahaha! Mas só vou pedir uns três, juro!
E por falar em médico, hoje fui na clínica tirar algumas dúvidas. Não me contentei em ouvir as respostas pelo celular e quis conversar cara-a-cara...foi ótimo. No final, o meu desejo era colocar uma cama naquela clínica e morar lá até minha barriga começar a crescer. Eu falei isso à secretária e ela morreu de rir, disse que me entendia. Hummm, será que alguém realmente entende a sensação de milhares de borboletas voando no meu estômago?
Mas achei bastante curioso como as meninas se tratam por lá...são tentantes ou fivetes, ri muito quando vi esses termos pela primeira vez. Há até grupos de oração de fivetes e eu já me imaginei ajoelhada naquela hora marcada por elas, fazendo uma oração para que meu presentinho venha logo. Mas ainda estou na imaginação...
Pois bem, sou uma fivete! E quem nunca passou por isso não pode imaginar como todo dia surge uma dúvida nova, um acontecimento novo...são muitas emoções e informações novas o tempo todo. Não consigo pensar em outra coisa e isso me deixa sem foco para executar bem o meu trabalho. Estou tentando não ler tanto as postagens nos grupos, pois já me peguei com uma lista prontinha de patologias que podem atrapalhar nosso intento e exames para verificar essas patologias e tive que me esforçar para não largar essa lista na frente do médico e dizer: Quero agora todos esses encaminhamentos!!! Hahaha! Mas só vou pedir uns três, juro!
E por falar em médico, hoje fui na clínica tirar algumas dúvidas. Não me contentei em ouvir as respostas pelo celular e quis conversar cara-a-cara...foi ótimo. No final, o meu desejo era colocar uma cama naquela clínica e morar lá até minha barriga começar a crescer. Eu falei isso à secretária e ela morreu de rir, disse que me entendia. Hummm, será que alguém realmente entende a sensação de milhares de borboletas voando no meu estômago?
sábado, 3 de agosto de 2013
Boas novas
Íamos esperar trocar o carro, quitar o apartamento e decidimos também que só após nossas férias na Europa é que começaríamos o tratamento. Que nada! O doutorado terminou e minha cabeça e coração estavam livres para sonhar. Não aguentei esperar e simplesmente marquei a consulta na clínica de reprodução. Quando avisei à Mama B o que havia feito, afirmei que era apenas para ver como era. E ela enfaticamente disse: "Sei, você não vai aguentar esperar". E foi o que aconteceu.
Chegamos na clínica pensando em apenas fazer o orçamento. O médico nos ouviu, explicou sobre IA, FIV, ROPA, etc. Perguntou o que queríamos, também sobre nosso histórico de saúde, nos encaminhou para realizar vários exames e receitou ácido fólico. Ouvir a palavra ácido fólico foi algo mágico, parece que a partir daquele momento eu já era mãe, tal a emoção que senti... e foi nesse momento que pensei: Vamos fazer agora!!!!! Ele nos explicou sobre as taxas da IA e da FIV, e eu, que pensava em fazer de cara a IA, saí de lá sem saber o que fazer. O médico ainda disse que não precisávamos fazer o orçamento naquele momento, mas eu quis de qualquer jeito saber quanto custava tudo aquilo.
Saímos da sala do orçamento e fomos direto tomar um suquinho de laranja na esquina, quando a Mama B me solta um..."Vamos fazer FIV, e eu doarei os óvulos". Não sei se eu estava tomada de emoção, mas em nenhum momento tinha pensando no ROPA naquele dia... E foi assim que decidimos pela FIV com ROPA. Que emoção. Encaminhamento de exames nas mãos, prescrição de ácido fólico, escrevi para os amigos e parentes mais próximos fazendo perguntas e contando do acontecimento. Mas como não havíamos pensando no ROPA lá na sala do orçamento, saí sem saber a diferença desses valores. Tive que escrever para o médico para saber isso e ele me respondeu no mesmo dia, ainda bem, pois eu não aguentaria esperar até segunda-feira.
Pois bem, o tratamento tem um valor, a medicação tem outro valor e o sêmen de doador anônimo do PROSEED também outro valor. O custo é bem alto. E ainda faremos o congelamento de embriões para o caso da necessidade de demais tentativas. Estou muito pé no chão pois já li muitos relatos de casais que conseguiram de cara o positivo, outras que estão tentando até hoje, outras que partiram para a adoção e outras que conseguiram na terceira ou quarta tentativa. Já estou super ansiosa, mas terei que aguardar cada fase. Estou muito feliz porque a Mama B, tão avessa a procedimentos médicos, demonstrou por si própria e sem nenhum esforço meu, a vontade em fazer a ovodoação.
Estou feliz também por ter conseguido uma boa clínica e lido muitas postagens com ótimos comentários sobre o nosso médico.
Outra coisa que o médico nos disse foi que, devido à minha idade, a lei determina a implantação de somente 3 óvulos. Na próxima consulta irei enfatizar que gostaríamos muito de gêmeos. Sei que falar isso não irá mudar biologicamente nada...mas é melhor que ele saiba.
Gostaria de pedir a todas que enviem pensamentos positivos para nós. Queremos muito esse positivo!!!! Queremos muito ser mães.
Abraços a todos!!!!
Chegamos na clínica pensando em apenas fazer o orçamento. O médico nos ouviu, explicou sobre IA, FIV, ROPA, etc. Perguntou o que queríamos, também sobre nosso histórico de saúde, nos encaminhou para realizar vários exames e receitou ácido fólico. Ouvir a palavra ácido fólico foi algo mágico, parece que a partir daquele momento eu já era mãe, tal a emoção que senti... e foi nesse momento que pensei: Vamos fazer agora!!!!! Ele nos explicou sobre as taxas da IA e da FIV, e eu, que pensava em fazer de cara a IA, saí de lá sem saber o que fazer. O médico ainda disse que não precisávamos fazer o orçamento naquele momento, mas eu quis de qualquer jeito saber quanto custava tudo aquilo.
Saímos da sala do orçamento e fomos direto tomar um suquinho de laranja na esquina, quando a Mama B me solta um..."Vamos fazer FIV, e eu doarei os óvulos". Não sei se eu estava tomada de emoção, mas em nenhum momento tinha pensando no ROPA naquele dia... E foi assim que decidimos pela FIV com ROPA. Que emoção. Encaminhamento de exames nas mãos, prescrição de ácido fólico, escrevi para os amigos e parentes mais próximos fazendo perguntas e contando do acontecimento. Mas como não havíamos pensando no ROPA lá na sala do orçamento, saí sem saber a diferença desses valores. Tive que escrever para o médico para saber isso e ele me respondeu no mesmo dia, ainda bem, pois eu não aguentaria esperar até segunda-feira.
Pois bem, o tratamento tem um valor, a medicação tem outro valor e o sêmen de doador anônimo do PROSEED também outro valor. O custo é bem alto. E ainda faremos o congelamento de embriões para o caso da necessidade de demais tentativas. Estou muito pé no chão pois já li muitos relatos de casais que conseguiram de cara o positivo, outras que estão tentando até hoje, outras que partiram para a adoção e outras que conseguiram na terceira ou quarta tentativa. Já estou super ansiosa, mas terei que aguardar cada fase. Estou muito feliz porque a Mama B, tão avessa a procedimentos médicos, demonstrou por si própria e sem nenhum esforço meu, a vontade em fazer a ovodoação.
Estou feliz também por ter conseguido uma boa clínica e lido muitas postagens com ótimos comentários sobre o nosso médico.
Outra coisa que o médico nos disse foi que, devido à minha idade, a lei determina a implantação de somente 3 óvulos. Na próxima consulta irei enfatizar que gostaríamos muito de gêmeos. Sei que falar isso não irá mudar biologicamente nada...mas é melhor que ele saiba.
Gostaria de pedir a todas que enviem pensamentos positivos para nós. Queremos muito esse positivo!!!! Queremos muito ser mães.
Abraços a todos!!!!
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Casamento gay. Você pode e é pra valer.
terça-feira, 16 de abril de 2013
[Por Dra. Ivone Zeger - Consultor Jurídico]
Desde 1º de março, casais homossexuais paulistas podem se dirigir aos
Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais e realizar o casamento
civil, ou a conversão da união civil em casamento, exatamente como fazem
os casais heterossexuais. Essa possibilidade surgiu a partir de norma
publicada pela Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo, que
determinou o procedimento igualitário nos cartórios.
Sem interferência do Judiciário
Direitos advindos do casamento
Oito estados brasileiros permitem o casamento igualitário
Assim, a primeira etapa para a realização do casamento civil é o processo de habilitação. Nele, os noivos
devem ir ao Cartório de Registro Civil de Pessoas Naturais mais próximo
de suas residências fixas e dar entrada nos papéis. O cartório procede
então à publicação do edital dos proclamas no próprio local e no Diário
Oficial do município. A tarefa do cartório é tornar o anúncio do
casamento o mais público possível. Ao final de 15 dias, se não houver
qualquer manifestação de impedimento, os noivos serão considerados
habilitados ao casamento.
Cruzar fronteiras não é possível
Sem interferência do Judiciário
Desde que a decisão do STF, de 2011, configurou união estável e entidade
familiar aos casais gays muitos pleitearam na justiça o direito ao
casamento. A partir dessa demanda e o desdobramento da isonomia, a
Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo determinou que isso
fosse possível sem a interferência do judiciário. Assim, a partir de
agora, os casais homoafetivos paulistas podem, também, converter união
estável em casamento. Ou, como já foi dito, partirem direto para o
casamento civil, sem “escalas”, digamos assim.
Direitos advindos do casamento
Isso representa uma série de direitos. O mais concreto e imediato é a
obtenção da certidão de casamento, documento que basta como prova de
união do casal. Pode-se também escolher o regime de bens. Quando os
cônjuges não fazem essa opção, automaticamente ele se configura como
comunhão parcial de bens. Por outro lado, se houver opção por outro
regime de bens, a lei brasileira determina que se faça o pacto
antenupcial, que é uma escritura pública que obrigatoriamente deve ser
lavrada no registro de imóveis que fica na circunscrição do imóvel onde o
casal vai residir.
Nesse documento, os cônjuges decidem a administração dos bens e outras
questões patrimoniais, de acordo com a conveniência do casal. Feito o
pacto antenupcial, este deve ser encaminhado ao Cartório de Registro
Civil de Pessoas Naturais onde será efetivado o casamento. É possível
também, com o casamento civil, efetuar a adoção do patronímico, ou seja,
adotar o sobrenome do parceiro. E a adoção de filhos em conjunto.
Também é bom lembrar que de posse da certidão de casamento, ainda que os
cônjuges morem distantes um do outro, não há necessidade de provar a
união, nos casos em que isso for necessário.
Oito estados brasileiros permitem o casamento igualitário
O “casamento gay” já é uma realidade em 11 países do mundo. Na América
Latina, a Argentina saiu na frente, depois o Uruguai. No Brasil, essa
realidade existe em alguns estados. Além de São Paulo e do Distrito
Federal, outros seis estados normatizaram o casamento gay: o primeiro a
fazê-lo foi Alagoas; posteriormente foram Piauí, Bahia, Ceará, Paraná e
Mato Grosso do Sul.
Então, muitos se perguntarão: é possível cruzar fronteiras e casar em
outro estado? Não. Na verdade, a única possibilidade é quando os
cônjuges ou um dos cônjuges tem residência fixa em mais de um estado,
sendo que num deles o casamento homoafetivo é permitido. Se nos dois
estados a lei não permitir, será impossível até o presente momento.
Se os noivos moram em municípios ou estados diferentes, cada qual terá
os proclamas publicados pelo cartório próximo ao seu local de residência
fixa. Aquele do casal que se deslocar de um estado para outro, para
realizar o casamento, deverá estar munido do documento de autorização
emitido pelo cartório para que o casamento se efetive.
Cruzar fronteiras não é possível
E para quem reside nos estados onde não é possível fazer o casamento, é
importante lembrar que embora não dê plenos direitos, a possibilidade de
oficializar a união civil homoafetiva já é um avanço, principalmente em
favor daqueles que, com a morte do companheiro ou companheira, se veem
na situação de ter de abrir mão de bens que foram adquiridos em
conjunto. Portanto, nesses casos, o mais correto a fazer é oficializar a
união civil e posteriormente tentar a conversão por via judicial.
Veja esse e demais artigos no site: http://www.identidadeg.com.br/2013/04/voce-pode-e-e-pra-valer.html?view=timeslide
Você já se casou ou está tramitando? Compartilhe conosco sua experiência!
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
Varas de famílias devem julgar ações de união homoafetiva
Postado por Junior Nery em
terça-feira, abril 02, 2013
Se você pretende discutir judicialmente sua
união estável, é bom saber que poderá fazê-lo perante o juiz da vara de família,
segundo pronunciamento atual do Superior Tribunal de Justiça (Rio Grande do Sul)
'STJ-RS'.
Segundo a 4ª Turma do STJ-RS, como as varas de
família têm competência para julgar ações relativas a uniões estáveis entre
casais heterossexuais, também devem tratar de casos que envolvem uniões
homoafetivas. O relator, ministro Antônio Carlos Ferreira, afirma que as uniões
estáveis homoafetivas foram equiparadas às heteroafetivas pelo Supremo Tribunal
Federal ('STF') na Ação Direta de Inconstitucionalidade 4.277, de 2011, e,
portanto, devem ser tratadas pelo juízo de Família.
#Confira
também:
O caso foi levado ao STJ pelo Ministério
Público do Rio Grande do Sul ("MP-RS") que pretendia que a vara de família fosse
declarada incompetente pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ('TJ-RS')
para julgar disputas envolvendo casais homoafetivos porque a vara não poderia
julgar ou processar ações de reconhecimento de união de pessoas do mesmo sexo. O
TJ-RS não acatou a tese de incompetência, o que motivou o recurso ao STJ.
Para o MP-RS, houve ofensa ao artigo 1.723 do
Código Civil, que define o instituto da união estável como união entre homem e
mulher. Também alegou violação aos artigos 1º e 9º da Lei 9.278/1996,
conhecida como Estatuto da Convivência. O primeiro artigo define a união estável
como a união entre homem e mulher. Já o 9º dá às varas de família a competência
para julgar toda matéria relativa a uniões estáveis.
A importância da decisão de Supremo Tribunal
Federal, de maio de 2011
No julgamento da ADI 4.277, o STF reconheceu a
união homoafetiva como um modelo legítimo de entidade familiar. Aplica-se, por
analogia, à legislação atinente às relações heteroafetivas. O Supremo, "ao
analisar a extensão da legislação e das prerrogativas da união estável
heteroafetiva às relações estáveis homoafetivas, concluiu pela aplicação
imediata do arcabouço normativo e dos respectivos privilégios”, destacou o
relator.
Seguindo o voto do ministro Antônio Carlos
Ferreira, a 4ª Turma considerou a vara de família competente para julgar a
questão. Com informações da assessoria de imprensa do Superior Tribunal de
Justiça e publicação na revista Consultor Jurídico.
Confira em: http://www.identidadeg.com.br/2013/04/varas-de-familias-devem-julgar-acoes-de.html#.UVt_wpPU88U
quinta-feira, 28 de março de 2013
Páscoa
Ontem nos pegamos idealizando uma
páscoa em família, sonhando sobre como seria esta e demais datas comemorativas
com nosso bebê. Eu nunca fui fiel a essas datas, assim como a Mama B,
entretanto, sinto necessidade e vontade de propiciar isso ao nosso filho,
mas de uma forma mais tradicional e não comercial.
Pelo andar
da carruagem, acredito que ainda não teremos nosso filhinho nos braços na
próxima páscoa, mas, quem sabe, já estaremos nos primeiros dias de gravidez.
Aproveitando
essa data tão linda, compartilhamos uma pequena parte da nossa "páscoa dos
sonhos em família". Já existe no mercado algumas opções diferenciadas de
ovo de páscoa, para veganos, para aqueles que têm intolerância à lactose, para
aqueles que têm doença celíaca ou mesmo para aqueles que não consomem soja.
Onde moramos, é mais difícil encontrar esses ovos. Como a Mama B gosta muito de
gastronomia e eu estou naquela de "Você tem que aprender a cozinhar, você
será mãe, meu bem!", idealizamos não comprar nossos ovos de páscoa, mas
sim prepará-los em nosso lar conjuntamente (nós três), baseando-nos em nossas
práticas de alimentação, ou seja, isenção de leite e derivados, glúten e soja,
baixo teor de açúcar e sódio. Então aí vai a nossa receita de ovo de páscoa, a
qual garimpamos na internet e na qual fizemos algumas modificações.
- panela para banho-maria
- 1 forma para bombons com
6 unidades
- 1 forma para ovo de
páscoa de 200g
- 200g de chocolate
em barra (sem lactose, sem soja, sem glúten, quantidade
significativa de cacau)
- 50g de amaranto, castanha-do-pará triturada e chia
Instruções
- Corte o chocolate em pedaços
pequenos e derreta em banho-maria.
- Espalhe o chocolate na forma. Não deixe a camada muito grossa. Leve à geladeira por 5/10 minutos.
- Arrume as formas, caso
pretenda colocar "recheio" nos bombons, deixe pronto. No nosso
caso, foi amaranto, castanha-do-pará triturada e chia.
- Passe uma nova camada de
chocolate e coloque o recheio sobre esta camada. Leve à geladeira
novamente e aguarde.
- Reserve um pouco do
chocolate para os bombons, preencha a forma com o cuidado de ocupar todos
os espaços e leve à geladeira pra endurecer.
- Espere a forma ficar
transparente/fosca para desenformar. É só virar em uma superfície lisa que
o chocolate sai facilmente.
- Após desenformar, deixe
descansar por 10 minutos em local seco, protegido de umidade, luz e calor.
Após esse tempo, pode embrulhar conforme deseja. Utilize os bombons para
rechear o ovo.
Feliz páscoa para todos vocês!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Feliz 2013!
Sim, 2012 foi um ano decisivo em nossas vidas...mudamos de estado, indo parar em uma cultura totalmente diferente da nossa, o que gerou muita turbulência, mas estamos nos adaptando e aprendendo a amar e compreender a terra na qual estamos inseridas agora. Fizemos novos colegas de trabalho, tivemos que ficar longe das nossas famílias e amigos e ainda estamos na busca por amigos novos que partilhem de algo em comum conosco: a família homoafetiva.
Ainda em 2012, começamos a concretizar "no mundo das idéias" o nosso sonho de ter um filho. E após muita conversa sobre como, quando, onde... decidimos que faremos na cidade onde estamos para evitar viagens a São Paulo, utilizaremos doador anônimo de sêmen, bem como meus óvulos, e começaremos as tentativas de inseminação em 2014, usando inseminação intra-uterina, técnica simples que consiste em inserir o sêmen com uma seringa no útero.
Portanto, 2013 será um ano de muito trabalho. Será o ano em que colocaremos nossas vidas em ordem para chegada da coisa mais importante de nossas vidas. Já traçamos nossas prioridades para este novo ano, nossas tarefas individuais e comuns e agora estamos arregaçando as mangas para realizar todas as metas da nossa listinha.
Que venha 2013, com paz e saúde para vencermos todas as batalhas. Com amizade e renovação para tornar tudo mais colorido. Com fé e otimismo para estarmos sempre no caminho do Bem.
Desejamos tudo isso a vocês também, queridos amigos e amigas que estiveram conosco durante o ano de 2012. Que o Bem esteja nos lares de cada um de vocês, trazendo paz e renovação.
Abraços calorosos de Mama B e Mama C!
Ainda em 2012, começamos a concretizar "no mundo das idéias" o nosso sonho de ter um filho. E após muita conversa sobre como, quando, onde... decidimos que faremos na cidade onde estamos para evitar viagens a São Paulo, utilizaremos doador anônimo de sêmen, bem como meus óvulos, e começaremos as tentativas de inseminação em 2014, usando inseminação intra-uterina, técnica simples que consiste em inserir o sêmen com uma seringa no útero.
Portanto, 2013 será um ano de muito trabalho. Será o ano em que colocaremos nossas vidas em ordem para chegada da coisa mais importante de nossas vidas. Já traçamos nossas prioridades para este novo ano, nossas tarefas individuais e comuns e agora estamos arregaçando as mangas para realizar todas as metas da nossa listinha.
Que venha 2013, com paz e saúde para vencermos todas as batalhas. Com amizade e renovação para tornar tudo mais colorido. Com fé e otimismo para estarmos sempre no caminho do Bem.
Desejamos tudo isso a vocês também, queridos amigos e amigas que estiveram conosco durante o ano de 2012. Que o Bem esteja nos lares de cada um de vocês, trazendo paz e renovação.
Abraços calorosos de Mama B e Mama C!
domingo, 30 de dezembro de 2012
Sêmen
Recomendo um post muito bom para os casais que estão buscando mais informações sobre inseminação, nos auxiliou bastante. Está no blog Diário de Carlota. Se você tem alguma dica sobre o assunto, divida conosco!
http://diariodeduasmamaes.blogspot.com.br/2012/12/quando-o-assunto-e-o-semen.html
http://diariodeduasmamaes.blogspot.com.br/2012/12/quando-o-assunto-e-o-semen.html
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
Outra conquisa
Tribunal de Justiça da Bahia regulamenta casamento gay
NELSON BARROS NETO
DE SALVADOR
DE SALVADOR
O Tribunal de Justiça da Bahia regulamentou o casamento entre pessoas do mesmo sexo nesta semana, em decisão comemorada por entidades de defesa dos direitos dos homossexuais.
A norma obriga os cartórios de registro civil baianos a realizar o casamento gay, que já havia sido autorizado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) em outubro de 2011, mas não foi aceito automaticamente em todo o país.
Até esta semana, o casamento gay só havia sido regulamentado nos Estados de Alagoas e São Paulo --onde houve uma cerimônia gratuita com 47 casais homossexuais no último dia 28.
O texto publicado na quarta-feira pelo TJ baiano foi considerado "um marco" pelo GGB (Grupo Gay da Bahia).
Os casais gays agora poderão automaticamente trocar sobrenomes, ter direito a herança do cônjuge e adotar o estado civil de casados.
Outra diferença em relação à simples união estável é que poderão se casar de forma imediata, sem precisar provar judicialmente estarem juntos por ao menos três anos.
A desembargadora Ivete Caldas, que assinou o provimento, diz que é importante "atualizar a concepção familiar na comunidade".
A norma passa a valer a partir do dia 26 de novembro --prazo necessário para a adequação do sistema do TJ e dos cartórios--, mas os interessados já podem registrar pedidos pela internet.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Réplica à Veja por Jean Wyllys
http://jeanwyllys.com.br/wp/veja-que-lixo
12/11/12
Veja que lixo!
Eu havia prometido não responder à coluna do ex-diretor de redação de Veja, José Roberto Guzzo, para não ampliar a voz dos imbecis. Mas foram tantos os pedidos, tão sinceros, tão sentidos, que eu dominei meu asco e decidi responder.
A coluna publicada na edição desta semana do libelo da editora Abril — e que trata sobre o relacionamento dele com uma cabra e sua rejeição ao espinafre, e usa esses exemplos de sua vida pessoal como desculpa para injuriar os homossexuais — é um monumento à ignorância, ao mau gosto e ao preconceito.
Logo no início, Guzzo usa o termo “homossexualismo” e se refere à nossa orientação sexual como “estilo de vida gay”. Com relação ao primeiro, é necessário esclarecer que as orientações sexuais (seja você hétero, lésbica, gay ou bi) não são tendências ideológicas ou políticas nem doenças, de modo que não tem “ismo” nenhum. São orientações da sexualidade, por isso se fala em “homossexualidade”, “heterossexualidade” e “bissexualidade”. Não é uma opção, como alguns acreditam por falta de informação: ninguém escolhe ser homo, hétero ou bi.
O uso do sufixo “ismo”, por Guzzo, é, portanto, proposital: os homofóbicos o empregam para associar a homossexualidade à ideia de algo que pode passar de uns a outros – “contagioso” como uma doença – ou para reforçar o equívoco de que se trata de uma “opção” de vida ou de pensamento da qual se pode fazer proselitismo.
Não se trata de burrice da parte do colunista portanto, mas de má fé. Se fosse só burrice, bastaria informar a Guzzo que a orientação sexual é constitutiva da subjetividade de cada um/a e que esta não muda (Gosta-se de homem ou de mulher desde sempre e se continua gostando); e que não há um “estilo de vida gay” da mesma maneira que não há um “estilo de vida hétero”.
A má fé conjugada de desonestidade intelectual não permitiu ao colunista sequer ponderar que heterossexuais e homossexuais partilham alguns estilos de vida que nada têm a ver com suas orientações sexuais! Aliás, esse deslize lógico só não é mais constrangedor do que sua afirmação de que não se pode falar em comunidade gay e que o movimento gay não existe porque os homossexuais são distintos. E o movimento negro? E o movimento de mulheres? Todos os negros e todas as mulheres são iguais, fabricados em série?
A comunidade LGBT existe em sua dispersão, composta de indivíduos que são diferentes entre si, que têm diferentes caracteres físicos, estilos de vida, ideias, convicções religiosas ou políticas, ocupações, profissões, aspirações na vida, times de futebol e preferências artísticas, mas que partilham um sentimento de pertencer a um grupo cuja base de identificação é ser vítima da injúria, da difamação e da negação de direitos! Negar que haja uma comunidade LGBT é ignorar os fatos ou a inscrição das relações afetivas, culturais, econômicas e políticas dos LGBTs nas topografias das cidades. Mesmo com nossas diferenças, partilhamos um sentimento de identificação que se materializa em espaços e representações comuns a todos. E é desse sentimento que nasce, em muitos (mas não em todas e todos, infelizmente) a vontade de agir politicamente em nome do coletivo; é dele que nasce o movimento LGBT. O movimento negro — também oriundo de uma comunidade dispersa que, ao mesmo tempo, partilha um sentimento de pertença — existe pela mesma razão que o movimento LGBT: porque há preconceitos a serem derrubados, injustiças e violências específicas contra as quais lutar e direitos a conquistar.
A luta do movimento LGBT pelo casamento civil igualitário é semelhante à que os negros tiveram que travar nos EUA para derrubar a interdição do casamento interracial, proibido até meados do século XX. E essa proibição era justificada com argumentos muito semelhantes aos que Guzzo usa contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
Afirma o colunista de Veja que nós os e as homossexuais queremos “ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos”, e pouco depois ele coloca como exemplo a luta pelo casamento civil igualitário. Ora, quando nós, gays e lésbicas, lutamos pelo direito ao casamento civil, o que estamos reclamando é, justamente, não sermos mais tratados como uma categoria diferente de cidadãos, mas igual aos outros cidadãos e cidadãs, com os mesmos direitos, nem mais nem menos. É tão simples! Guzzo diz que “o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa”. Ora, mas é a lei que queremos mudar! Por lei, a escravidão de negros foi legal e o voto feminino foi proibido. Mas, felizmente, a sociedade avança e as leis mudam. O casamento entre pessoas do mesmo sexo já é legal em muitos países onde antes não era. E vamos conquistar também no Brasil!
Os argumentos de Guzzo contra o casamento igualitário seriam uma confissão pública de estupidez se não fosse uma peça de má fé e desonestidade intelectual a serviço do reacionarismo da revista. Ele afirma: “Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar”. Eu não sei que tipo de relação estável o senhor Guzzo tem com a sua cabra, mas duvido que alguém possa ter, com uma cabra, o tipo de relação que é possível ter com um cabra — como Riobaldo, o cabra macho que se apaixonou por Diadorim, que ele julgava ser um homem, no romance monumental de Guimarães Rosa. O que ele, Guzzo, chama de “relacionamento” com sua cabra é uma fantasia, pois falta o intersubjetivo, a reciprocidade que, no amor e no sexo, só é possível com outro ser humano adulto: duvido que a cabra dele entenda o que ele porventura faz com ela como um “relacionamento”.
Guzzo também argumenta que “se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for”. Bom, nós, os gays e lésbicas, somos como o espinafre ou como as cabras. Esse é o nível do debate que a Veja propõe aos seus leitores.
Não, senhor Guzzo, a lei não pode obrigar ninguém a “gostar” de gays, lésbicas, negros, judeus, nordestinos, travestis, imigrantes ou cristãos. E ninguém propõe que essa obrigação exista. Pode-se gostar ou não gostar de quem quiser na sua intimidade (De cabra, inclusive, caro Guzzo, por mais estranho que seu gosto me pareça!). Mas não se pode injuriar, ofender, agredir, exercer violência, privar de direitos. É disso que se trata.
O colunista, em sua desonestidade intelectual, também apela para uma comparação descabida: “Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos”. O que Guzzo não diz, de propósito (porque se trata de enganar os incautos), é que esses 300 homossexuais foram assassinados por sua orientação sexual! Essas estatísticas não incluem os gays mortos em assaltos, tiroteios, sequestros, acidentes de carro ou pela violência do tráfico, das milícias ou da polícia.
As estatísticas se referem aos LGBTs assassinados exclusivamente por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero! Negar isso é o mesmo que negar a violência racista que só se abate sobre pessoas de pele preta, como as humilhações em operações policiais, os “convites” a se dirigirem a elevadores de serviço e as mortes em “autos de resistência”.
Qual seria a reação de todas e todos nós se Veja tivesse publicado uma coluna em que comparasse negros e negras com cabras e judeus com espinafre? Eu não espero pelo dia em que os homens e mulheres concordem, mas tenho esperança de que esteja cada vez mais perto o dia em que as pessoas lerão colunas como a de Guzzo e dirão “veja que lixo!”.
Jean Wyllys
Deputado Federal (PSOL-RJ)
Pífido
Para quem, como eu, não acreditou que um texto da Veja fosse capaz de comparar casamento gay com união entre homens e cabras, está aqui a prova. O texto é do JR Guzzo!
J.R. Guzzo
Parada gay, cabra e espinafre
Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.
Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.
O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.
Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.
Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270000 manifestantes, e que apenas 65000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” - mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.
Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?
A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?
Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gay ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.
Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.
J.R. Guzzo
Parada gay, cabra e espinafre
Já deveria ter ficado para trás no Brasil a época em que ser homossexual era um problema. Não é mais o problema que era, com certeza, mas a verdade é que todo o esforço feito há anos para reduzir o homossexualismo a sua verdadeira natureza – uma questão estritamente pessoal – não vem tendo o sucesso esperado. Na vida política, e só para ficar num caso recente, a rejeição ao homossexualismo pela maioria do eleitorado continua sendo considerada um valor decisivo nas campanhas eleitorais. Ainda agora, na eleição municipal de São Paulo, houve muito ruído em tomo do infeliz “kit gay” que o Ministério da Educação inventou e logo desinventou, tempos atrás, para sugerir aos estudantes que a atração afetiva por pessoas do mesmo sexo é a coisa mais natural do mundo. Não deu certo, no caso, porque o ex-ministro Fernando Haddad, o homem associado ao “kit”, acabou ganhando – assim como não tinha dado certo na eleição anterior, quando a candidata Marta Suplicy (curiosamente, uma das campeãs da “causa gay” no país) fez insinuações agressivas quanto à masculinidade do seu adversário Gilberto Kassab e foi derrotada por ele. Mas aí é que está: apesar de sua aparente ineficácia como caça-votos, dizer que alguém é gay, ou apenas pró-gay, ainda é uma “acusação”. Pode equivaler a um insulto grave – e provocar uma denúncia por injúria, crime previsto no artigo 140 do Código Penal Brasileiro. Nos cultos religiosos, o homossexualismo continua sendo denunciado como infração gravíssima. Para a maioria das famílias brasileiras, ter filhos ou filhas gay é um desastre – não do tamanho que já foi, mas um drama do mesmo jeito.
Por que o empenho para eliminar a antipatia social em torno do homossexualismo rateia tanto assim? O mais provável é que esteja sendo aplicada aqui a Lei das Consequências Indesejadas, segundo a qual ações feitas em busca de um determinado objetivo podem produzir resultados que ninguém queria obter, nem imaginava que pudessem ser obtidos. É a velha história do Projeto Apollo. Foi feito para levar o homem à Lua; acabou levando à descoberta da frigideira Tefal. A Lei das Consequências Indesejadas pode ser do bem ou do mal. É do bem quando os tais resultados que ninguém esperava são coisas boas, como aconteceu no Projeto Apollo: o objetivo de colocar o homem na Lua foi alcançado – e ainda rendeu uma bela frigideira, além de conduzir a um monte de outras invenções provavelmente mais úteis que a própria viagem até lá. É do mal quando os efeitos não previstos são o contrário daquilo que se pretendia obter. No caso das atuais cruzadas em favor do estilo de vida gay, parece estar acontecendo mais o mal do que o bem. Em vez de gerar a paz, todo esse movimento ajuda a manter viva a animosidade; divide, quando deveria unir. O kit gay, por exemplo, pretendia ser um convite à harmonia – mas acabou ficando com toda a cara de ser um incentivo ao homossexualismo, e só gerou reprovação. O fato é que, de tanto insistirem que os homossexuais devem ser tratados como uma categoria diferente de cidadãos, merecedora de mais e mais direitos, ou como uma espécie ameaçada, a ser protegida por uma coleção cada vez maior de leis, os patronos da causa gay tropeçam frequentemente na lógica – e se afastam, com isso, do seu objetivo central.
O primeiro problema sério quando se fala em “comunidade gay” é que a “comunidade gay” não existe – e também não existem, em consequência, o “movimento gay” ou suas “lideranças”. Como o restante da humanidade, os homossexuais, antes de qualquer outra coisa, são indivíduos. Tem opiniões, valores e personalidades diferentes. Adotam posições opostas em política, religião ou questões éticas. Votam em candidatos que se opõem. Podem ser a favor ou contra a pena de morte, as pesquisas com células-tronco ou a legalização do suicídio assistido. Aprovam ou desaprovam greves, o voto obrigatório ou o novo Código Florestal – e por aí se vai. Então por que, sendo tão distintos entre si próprios, deveriam ser tratados como um bloco só? Na verdade, a única coisa que têm em comum são suas preferências sexuais – mas isso não é suficiente para transformá-los num conjunto isolado na sociedade, da mesma forma como não vem ao caso falar em “comunidade heterossexual” para agrupar os indivíduos que preferem se unir a pessoas do sexo oposto. A tendência a olharem para si mesmos como uma classe à parte, na verdade, vai na direção exatamente contrária à sua principal aspiração – a de serem cidadãos idênticos a todos os demais.
Outra tentativa de considerar os gays como um grupo de pessoas especiais é a postura de seus porta-vozes quanto ao problema da violência, imaginam-se mais vitimados pelo crime do que o resto da população; já se ouviu falar em “holocausto” para descrever a sua situação. Pelos últimos números disponíveis, entre 250 e 300 homossexuais foram assassinados em 2010 no Brasil. Mas, num país onde se cometem 50000 homicídios por ano, parece claro que o problema não é a violência contra os gays; é a violência contra todos. Os homossexuais são vítimas de arrastões em prédios de apartamentos, sofrem sequestros-relâmpago, são assaltados nas ruas e podem ser mortos com um tiro na cabeça se fizerem o gesto errado na hora do assalto – exatamente como ocorre a cada dia com os heterossexuais; o drama real, para todos, está no fato de viverem no Brasil. E as agressões gratuitas praticadas contra gays? Não há o menor sinal de que a imensa maioria da população aprove, e muito menos cometa, esses crimes; são fruto exclusivo da ação de delinquentes, não da sociedade brasileira.
Não há proveito algum para os homossexuais, igualmente, na facilidade cada vez maior com que se utiliza a palavra “homofobia”; em vez de significar apenas a raiva maligna diante do homossexualismo, como deveria, passou a designar com frequência tudo o que não agrada a entidades ou militantes da “causa gay”. Ainda no mês de junho, na última Parada Gay de São Paulo, os organizadores disseram que “4 milhões” de pessoas tinham participado da marcha – já o instituto de pesquisas Datafolha, utilizando técnicas específicas para esse tipo de medição, apurou que o comparecimento real foi de 270000 manifestantes, e que apenas 65000 fizeram o percurso do começo ao fim. A Folha de S.Paulo, que publicou a informação, foi chamada de “homofóbica”. Alegou-se que o número verdadeiro não poderia ter sido divulgado, para não “estimular o preconceito” - mas com isso só se estimula a mentira. Qualquer artigo na imprensa que critique o homossexualismo é considerado “homofóbico”; insiste-se que sua publicação não deve ser protegida pela liberdade de expressão, pois “pregar o ódio é crime”. Mas se alguém diz que não gosta de gays, ou algo parecido, não está praticando crime algum – a lei, afinal, não obriga nenhum cidadão a gostar de homossexuais, ou de espinafre, ou de seja lá o que for. Na verdade, não obriga ninguém a gostar de ninguém; apenas exige que todos respeitem os direitos de todos.
Há mais prejuízo que lucro, também, nas campanhas contra preconceitos imaginários e por direitos duvidosos. Homossexuais se consideram discriminados, por exemplo, por não poder doar sangue. Mas a doação de sangue não é um direito ilimitado – também são proibidas de doar pessoas com mais de 65 anos ou que tenham uma história clínica de diabetes, hepatite ou cardiopatias. O mesmo acontece em relação ao casamento, um direito que tem limites muito claros. O primeiro deles é que o casamento, por lei, é a união entre um homem e uma mulher; não pode ser outra coisa. Pessoas do mesmo sexo podem viver livremente como casais, pelo tempo e nas condições que quiserem. Podem apresentar-se na sociedade como casados, celebrar bodas em público e manter uma vida matrimonial. Mas a sua ligação não é um casamento – não gera filhos, nem uma família, nem laços de parentesco. Há outros limites, bem óbvios. Um homem também não pode se casar com uma cabra, por exemplo; pode até ter uma relação estável com ela, mas não pode se casar. Não pode se casar com a própria mãe, ou com uma irmã, filha, ou neta, e vice-versa. Não poder se casar com uma menor de 16 anos sem autorização dos pais, e se fizer sexo com uma menor de 14 anos estará cometendo um crime. Ninguém, nem os gays, acha que qualquer proibição dessas é um preconceito. Que discriminação haveria contra eles, então, se o casamento tem restrições para todos? Argumenta-se que o casamento gay serviria para garantir direitos de herança – mas não parece claro como poderiam ser criadas garantias que já existem. Homossexuais podem perfeitamente doar em testamento 50% dos seus bens a quem quiserem. Têm de respeitar a “legítima”, que assegura a outra metade aos herdeiros naturais – mas essa obrigação é exatamente a mesma para qualquer cidadão brasileiro. Se não tiverem herdeiros protegidos pela “legítima”, poderão doar livremente 100% de seu patrimônio – ao parceiro, à Santa Casa de Misericórdia ou à Igreja do Evangelho Quadrangular. E daí?
A mais nociva de todas essas exigências, porém, é o esforço para transformar a “homofobia” em crime, conforme se discute atualmente no Congresso. Não há um único delito contra homossexuais que já não seja punido pela legislação penal existente hoje no Brasil. Como a invenção de um novo crime poderia aumentar a segurança dos gays, num país onde 90% dos homicídios nem sequer chegam a ser julgados? A “criminalização da homofobia” é uma postura primitiva do ponto de vista jurídico, aleijada na lógica e impossível de ser executada na prática. Um crime, antes de mais nada, tem de ser “tipificado” – ou seja, tem de ser descrito de forma absolutamente clara. Não existe “mais ou menos” no direito penal; ou se diz precisamente o que é um crime, ou não há crime. O artigo 121 do Código Penal, para citar um caso clássico, diz o que é um homicídio: “Matar alguém”. Como seria possível fazer algo parecido com a homofobia? Os principais defensores da “criminalização” já admitiram, por sinal, que pregar contra o homossexualismo nas igrejas não seria crime, para não baterem de frente com o princípio da liberdade religiosa. Dizem, apenas, que o delito estaria na promoção do “ódio”. Mas o que seria essa “promoção”? E como descrever em lei, claramente, um sentimento como o ódio?
Os gays já percorreram um imenso caminho para se libertar da selvageria com que foram tratados durante séculos e obter, enfim, os mesmos direitos dos demais cidadãos. Na iluminadíssima Inglaterra de 1895, o escritor Oscar Wilde purgou dois anos de trabalhos forçados por ser homossexual; sua vida e sua carreira foram destruídas. Na França de 1963, o cantor e compositor Charles Trenet foi condenado a um ano de prisão, pelo mesmo motivo. Nada lhe valeu ser um dos maiores nomes da música popular francesa, autor de mais de 1000 canções, muitas delas obras imortais como Douce France – uma espécie de segundo hino nacional de seu país. Wilde, Trenet e tantos outros foram homens de sorte – antes, na Europa do Renascimento, da cultura e da civilização, homossexuais iam direto para as fogueiras da Santa Madre Igreja. Essas barbaridades não foram eliminadas com paradas gay ou projetos de lei contra a homofobia, e sim pelo avanço natural das sociedades no caminho da liberdade. É por conta desse progresso que os homossexuais não precisam mais levar uma vida de terror, escondendo sua identidade para conseguir trabalho, prover o seu sustento e escapar às formas mais brutais de chantagem, discriminação e agressão. É por isso que se tornou possível aos gays, no Brasil e no mundo de hoje, realizar o que para muitos é a maior e mais legítima ambição: a de serem julgados por seus méritos individuais, seja qual for a atividade que exerçam, e não por suas opções em matéria de sexo.
Perder o essencial de vista, e iludir-se com o secundário, raramente é uma boa ideia.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Conquista
http://revistapaisefilhos.com.br/familia/voce-viu/casal-de-lesbicas-consegue-direito-de-registrar-filhos
Casal de lésbicas consegue direito de registrar filhos
No Dia da Visibilidade Lésbica, elas gravaram um depoimento

Fernanda e Waldirene com os filhos gêmeos
29/08/2012
No início do mês, a justiça concedeu a Fernanda Bajo e Waldirene Pinto o direito de registrar o sobrenome delas na certidão de nascimento dos gêmeos que elas conceberam. O casal está junto há três anos e decidiu utilizar o método de fertilização in vitro. Assim, os óvulos de Fernanda foram fertilizados com a ajuda de um doador anônimo, e depois foram implantados no útero de Waldirene. Por isso, ambas foram reconhecidas como mães naturais, em decisão até então inédita na cidade de São Paulo.
O juiz responsável pelo caso reconheceu que as duas mulheres tinham o direito de registrar as crianças com os próprios sobrenomes. Agora, elas são responsáveis legais e devem garantir direitos legais aos filhos. Em homenagem ao Dia da Visibilidade Lésbica, elas gravaram um depoimento emocionante, a convite da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual. Confira:
O juiz responsável pelo caso reconheceu que as duas mulheres tinham o direito de registrar as crianças com os próprios sobrenomes. Agora, elas são responsáveis legais e devem garantir direitos legais aos filhos. Em homenagem ao Dia da Visibilidade Lésbica, elas gravaram um depoimento emocionante, a convite da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e da Coordenação de Políticas para a Diversidade Sexual. Confira:
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sábado, 22 de setembro de 2012
Medo
Desde a semana passada venho sentindo dores ao esforço na região inferior do abdómen. Nunca senti uma dor como essa. Acho que é em alguma parte do aparelho reprodutivo, mais especificamente no útero. Mas minha mãe teima em dizer que não há dor no útero, dessa forma. Estou com muito receio de que seja endometriose, pois minhas irmãs a tiveram, além de outras complicações similares, e não conseguem engravidar. Fiquei com muito medo de não poder engravidar. Mama B tentou me acalmar dizendo que se eu não puder, assim como várias outras mulheres da família, poderemos adotar. Sei que isso também seria maravilhoso, mas gostaria muito de ter um bebê. Nesta semana marcaremos o ginecologista. Deus queira que não seja nada. Abraços a todos.
Mama C
Mama C
domingo, 9 de setembro de 2012
No trabalho...
Gosto muito de ler os blogs de outras famílias ou de futuras famílias homo, para adquirir informações, analisar suas experiências, mas principalmente saber o que pensam e como agem diante de situações que para mim ainda suscitam dúvidas.
Muitos podem achar o que irei relatar uma besteira, e talvez o seja, mas se estivessem no meu lugar poderiam ter as mesmas dúvidas. Tenho vergonha de comentar sobre essas minhas "fragilidades" com outras pessoas, e às vezes acho que não devo comentar porque dariam saídas ou explicações superficiais, que em nada acrescentaria.
Pois bem, me assumir lésbica para amigos e família não foi algo difícil, foi algo quase instantâneo, talvez porque eu soubesse que me amavam e portanto não me excluiriam das suas vidas. Mas tenho um grande problema em assumir minha identidade no trabalho. Isso me incomoda muito, é uma barreira que não consigo transpassar, mas sinto que necessito. Até porque não sou uma, sou duas, sinto-me duas e já já seremos três. E quando isso acontecer, quero me sentir livre. Escrevo nesse momento com a garganta presa, de quando se quer e ao mesmo tempo não se quer deixar as lágrimas escorrerem. Não sei com agir diante disso. Sou extremamente feminina e ainda não encontrei até hoje um gaydar que acertasse em relação a mim.
Mama B, ao contrário, é masculinizada, e fica muito fácil para ela ser o que é, pois não precisa falar, ela é, simplesmente é. Todos sabem, seu patrão sabe e interage conosco como uma família. Quando vamos a uma loja ou precisamos negociar algo, somos tratadas como casal, por verem nossas alianças e também porque é nítido.
Mas no trabalho, além dos dois colegas mais próximos, acredito que ninguém saiba de mim. Incomoda-me saber que as pessoas não sabem que sou gay. E daí me pergunto se todos precisam saber que sou gay e casada com outra mulher, desde funcionários a usuários assíduos da instituição. Seria necessário?
Talvez a resolução seria usar indefinidamente uma camisa com os escritos: Sou lésbica, sou casada com outra mulher. Ou desenhar em letras garrafais essas informações no meu facebook. O boato se espalharia.
Mas por que me incomodo tanto com isso?
Quando alguém me pergunta se sou casada, se tenho alguém....e esse alguém é do meu trabalho, não sei como agir. Como você agiria? Essa não é a pergunta correta! Imagine como se sentiria e consequentemente agiria se tivesse tudo o que tenho, fosse tudo o que sou. Não estou falando em bens materiais ou diplomas, isso pouco importa, estou falando da história da minha vida. Realmente, nessas horas gostaria de ser adepta dos cabelos curtos e tênis. Seria mais nítido? Com certeza não haveria tantas perguntas.
Nessa semana fui convidada para uma festa de aniversário da filha de um colega de trabalho. Foi a primeira vez que isso aconteceu, visto que estamos morando aqui há 6 meses apenas. Pois bem, falei a ele que levaria outra pessoa. Quando lá cheguei, apresentei Mama B, percebi que muitos olharam com ares de análise, mas isso é normal visto que é necessário alguns segundos para identificar se ela é mulher ou homem e isso acontece com frequência em qualquer lugar, já estamos acostumadas e isso não me incomoda de forma alguma. Sei que minha esposa é linda e andrógina, adoro que ela seja assim, me orgulho de ser sua esposa. Meus colegas interagiram com ela, foi normal...eu sabia que seria normal e eu queria inserir a Mama B no meu ciclo de amizades do trabalho. Porquê? Porque quero ser como todas as outras pessoas. Porque a Mama B precisa disso. Porque em um futuro bem próximo não seremos somente duas, seremos três...e nosso filho precisará frequentar festas de aniversário, viver normalmente.....e nós duas estaremos lá.
Meus parabéns mais sinceros se você não precisa mais ter este tipo de preocupação simplória, ainda estou tentando passar esse nível do jogo.
Abraços da Mama C
Muitos podem achar o que irei relatar uma besteira, e talvez o seja, mas se estivessem no meu lugar poderiam ter as mesmas dúvidas. Tenho vergonha de comentar sobre essas minhas "fragilidades" com outras pessoas, e às vezes acho que não devo comentar porque dariam saídas ou explicações superficiais, que em nada acrescentaria.
Pois bem, me assumir lésbica para amigos e família não foi algo difícil, foi algo quase instantâneo, talvez porque eu soubesse que me amavam e portanto não me excluiriam das suas vidas. Mas tenho um grande problema em assumir minha identidade no trabalho. Isso me incomoda muito, é uma barreira que não consigo transpassar, mas sinto que necessito. Até porque não sou uma, sou duas, sinto-me duas e já já seremos três. E quando isso acontecer, quero me sentir livre. Escrevo nesse momento com a garganta presa, de quando se quer e ao mesmo tempo não se quer deixar as lágrimas escorrerem. Não sei com agir diante disso. Sou extremamente feminina e ainda não encontrei até hoje um gaydar que acertasse em relação a mim.
Mama B, ao contrário, é masculinizada, e fica muito fácil para ela ser o que é, pois não precisa falar, ela é, simplesmente é. Todos sabem, seu patrão sabe e interage conosco como uma família. Quando vamos a uma loja ou precisamos negociar algo, somos tratadas como casal, por verem nossas alianças e também porque é nítido.
Mas no trabalho, além dos dois colegas mais próximos, acredito que ninguém saiba de mim. Incomoda-me saber que as pessoas não sabem que sou gay. E daí me pergunto se todos precisam saber que sou gay e casada com outra mulher, desde funcionários a usuários assíduos da instituição. Seria necessário?
Talvez a resolução seria usar indefinidamente uma camisa com os escritos: Sou lésbica, sou casada com outra mulher. Ou desenhar em letras garrafais essas informações no meu facebook. O boato se espalharia.
Mas por que me incomodo tanto com isso?
Quando alguém me pergunta se sou casada, se tenho alguém....e esse alguém é do meu trabalho, não sei como agir. Como você agiria? Essa não é a pergunta correta! Imagine como se sentiria e consequentemente agiria se tivesse tudo o que tenho, fosse tudo o que sou. Não estou falando em bens materiais ou diplomas, isso pouco importa, estou falando da história da minha vida. Realmente, nessas horas gostaria de ser adepta dos cabelos curtos e tênis. Seria mais nítido? Com certeza não haveria tantas perguntas.
Nessa semana fui convidada para uma festa de aniversário da filha de um colega de trabalho. Foi a primeira vez que isso aconteceu, visto que estamos morando aqui há 6 meses apenas. Pois bem, falei a ele que levaria outra pessoa. Quando lá cheguei, apresentei Mama B, percebi que muitos olharam com ares de análise, mas isso é normal visto que é necessário alguns segundos para identificar se ela é mulher ou homem e isso acontece com frequência em qualquer lugar, já estamos acostumadas e isso não me incomoda de forma alguma. Sei que minha esposa é linda e andrógina, adoro que ela seja assim, me orgulho de ser sua esposa. Meus colegas interagiram com ela, foi normal...eu sabia que seria normal e eu queria inserir a Mama B no meu ciclo de amizades do trabalho. Porquê? Porque quero ser como todas as outras pessoas. Porque a Mama B precisa disso. Porque em um futuro bem próximo não seremos somente duas, seremos três...e nosso filho precisará frequentar festas de aniversário, viver normalmente.....e nós duas estaremos lá.
Meus parabéns mais sinceros se você não precisa mais ter este tipo de preocupação simplória, ainda estou tentando passar esse nível do jogo.
Abraços da Mama C
Dilema
O sonho da maternidade é maior que o meio pelo qual chegar a ela. Por isso, eu poderia adotar, fazer inseminação artificial usando meu óvulo ou da Mama B, usando óvulos de outra doadora caso fosse necessário, etc... A Mama B compartilha desse mesmo pensamento e sentimento, entretanto, sempre tive receio de que quando o bebê nascesse, não sendo do óvulo dela, ela não se sentisse mãe, não sentisse o amor incondicional que uma mãe tem. E eu jamais poderia incutir nela esse sentimento. Devido a isso, sempre busquei o caminho da ovodoação (óvulos da Mama B), mesmo tendo capacidade de usar os meus, normalmente.
Assim, nessas semanas que estive longe do blog, parti em busca de clínicas, informações, relatos, tudo...e o valor do tratamento realmente me deixou aflita. Podemos sim pagar pelo tratamento, mas sabemos que a possibilidade de este não dar certo e perder todo o dinheiro e o sonho, existe. Por isso, expliquei a Mama B tudo o que pensava, tudo o que havia encontrado de infromação...mas ainda assim ela falou: "Vamos tentar mesmo assim." e "Gostaria muito que tivéssemos um filho dessa forma, meu e teu." Isso me fez deixar o assunto um pouco quieto aqui em casa, pra poder refletir melhor sobre tudo. Eu realmente achava que poderíamos ter com uma inseminação caseira, pois seria mais fácil, mas não queria tirar o sonho da Mama B. Foi quando em uma bela tarde, após o trabalho, ela chega e diz: "Eu quero, quero sim ter um filho com você da maneira que for, pois de qualquer forma ele será NOSSO filho." Fiquei muito feliz com a decisão dela, pois em nenhum momento a instiguei àquilo, mas mesmo assim ela percebeu que ele será nosso, seja como for.
Assim, decidimos que teremos um bebê usando meu óvulo, sêmem de doador anônimo, em uma clínica... mas usando inseminação simples. Pretendemos, depois de uns três anos da primeira gestação, ter outro bebê, usando os óvulos da Mama B, pois talvez estejamos mais estabilizadas financeiramente.
Ainda tenho uma pontinha daqueles receios que citei acima, pois não quero passar por cima dos sonhos da Mama B, mas tenho fé em Deus que seremos quatro em breve, e completas.
Agora começa outra busca...onde encontrar o sêmem do doador, como escolher, como importar, será mesmo anônimo, escolheremos caucasiano para ficar também parecido com a Mama B?
Ainda temos tempo para responder a todas essas perguntas. Decidimos que iremos organizar algumas coisas em nossa vida antes da inseminação, como: terminar o pós-doutorado, quitar os dois apartamentos, abrir um novo negócio, terminar a especialização, fazer a mudança para o novo apartamento, comprar um carro maior, fazer uma mudança de hábitos alimentares e exercícios físicos, etc. Tudo isso são obrigações conjuntas, que já estão se encaminhando e não levará muito tempo para serem realizadas, mas pensamos que nossa vida precisa estar mais organizada para nosso bebê ter mais atenção ao chegar.
Abraços a todos e torçam por nós!
P.S.: Agradeço a todos os casais que têm enviado mensagens e comentários para nós. Desejamos muita sorte e felicidade a todos vocês. Gostaríamos muito de fazer amizade com outras famílias homo e trocar informações e experiências. Abraços!
Assim, nessas semanas que estive longe do blog, parti em busca de clínicas, informações, relatos, tudo...e o valor do tratamento realmente me deixou aflita. Podemos sim pagar pelo tratamento, mas sabemos que a possibilidade de este não dar certo e perder todo o dinheiro e o sonho, existe. Por isso, expliquei a Mama B tudo o que pensava, tudo o que havia encontrado de infromação...mas ainda assim ela falou: "Vamos tentar mesmo assim." e "Gostaria muito que tivéssemos um filho dessa forma, meu e teu." Isso me fez deixar o assunto um pouco quieto aqui em casa, pra poder refletir melhor sobre tudo. Eu realmente achava que poderíamos ter com uma inseminação caseira, pois seria mais fácil, mas não queria tirar o sonho da Mama B. Foi quando em uma bela tarde, após o trabalho, ela chega e diz: "Eu quero, quero sim ter um filho com você da maneira que for, pois de qualquer forma ele será NOSSO filho." Fiquei muito feliz com a decisão dela, pois em nenhum momento a instiguei àquilo, mas mesmo assim ela percebeu que ele será nosso, seja como for.
Assim, decidimos que teremos um bebê usando meu óvulo, sêmem de doador anônimo, em uma clínica... mas usando inseminação simples. Pretendemos, depois de uns três anos da primeira gestação, ter outro bebê, usando os óvulos da Mama B, pois talvez estejamos mais estabilizadas financeiramente.
Ainda tenho uma pontinha daqueles receios que citei acima, pois não quero passar por cima dos sonhos da Mama B, mas tenho fé em Deus que seremos quatro em breve, e completas.
Agora começa outra busca...onde encontrar o sêmem do doador, como escolher, como importar, será mesmo anônimo, escolheremos caucasiano para ficar também parecido com a Mama B?
Ainda temos tempo para responder a todas essas perguntas. Decidimos que iremos organizar algumas coisas em nossa vida antes da inseminação, como: terminar o pós-doutorado, quitar os dois apartamentos, abrir um novo negócio, terminar a especialização, fazer a mudança para o novo apartamento, comprar um carro maior, fazer uma mudança de hábitos alimentares e exercícios físicos, etc. Tudo isso são obrigações conjuntas, que já estão se encaminhando e não levará muito tempo para serem realizadas, mas pensamos que nossa vida precisa estar mais organizada para nosso bebê ter mais atenção ao chegar.
Abraços a todos e torçam por nós!
P.S.: Agradeço a todos os casais que têm enviado mensagens e comentários para nós. Desejamos muita sorte e felicidade a todos vocês. Gostaríamos muito de fazer amizade com outras famílias homo e trocar informações e experiências. Abraços!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Iniciantes
Estamos procurando uma clínica de fertilização que seja realmente segura, séria...nos passe confiança. Se ainda estivéssemos em São Paulo, tudo seria mais fácil. Onde moramos, infelizmente as possibilidades diminuem e a preocupação aumenta. Até chegamos a pensar em fazer mesmo em São Paulo, mas os gastos com tempo e dinheiro aumentariam sobremaneira.
Aqui há duas clínicas. Entrei em contato com ambas via e-mail mas somente uma respondeu. Perguntei o motivo pelo qual não há relatos de casais gays no site deles, se eles não faziam o tratamento em casais homoafetivos...afirmaram que faziam mas não há relato no site porque estes casais preferem não se expôr. Uma pena!!! Mas entendo, ainda existe muito preconceito...
Estamos começando a procurar em outros estados, talvez seja uma opção melhor, mas ainda gostaria de fazer aqui pela comodidade.
Em relação aos valor do tratamento, varia um pouco de uma clínica para outra, mas nada muito discrepante. O tratamento completo é caríssimo, ainda mais porque queremos fazer ovodoação, irei receber o óvulo da Mama B. As clínicas financiam, mas é necessário dar uma entrada de quase 50% do valor do tratamento. Há possibilidade de desconto com o Programa Acesso http://www.e-familynet.com/out/out.php?url=http://www.queroterumfilho.com.br , por exemplo, mas pelo que vi não nos enquadramos.
Quando leio os blogs de outros casais, encontro poucas informações detalhadas sobre essa fase inicial do tratamento...alguém teria mais informações para dividir conosco? Sobre clínicas, formas de desconto, ROPA, etc...
Abraços a todos!
Mama C
Aqui há duas clínicas. Entrei em contato com ambas via e-mail mas somente uma respondeu. Perguntei o motivo pelo qual não há relatos de casais gays no site deles, se eles não faziam o tratamento em casais homoafetivos...afirmaram que faziam mas não há relato no site porque estes casais preferem não se expôr. Uma pena!!! Mas entendo, ainda existe muito preconceito...
Estamos começando a procurar em outros estados, talvez seja uma opção melhor, mas ainda gostaria de fazer aqui pela comodidade.
Em relação aos valor do tratamento, varia um pouco de uma clínica para outra, mas nada muito discrepante. O tratamento completo é caríssimo, ainda mais porque queremos fazer ovodoação, irei receber o óvulo da Mama B. As clínicas financiam, mas é necessário dar uma entrada de quase 50% do valor do tratamento. Há possibilidade de desconto com o Programa Acesso http://www.e-familynet.com/out/out.php?url=http://www.queroterumfilho.com.br , por exemplo, mas pelo que vi não nos enquadramos.
Quando leio os blogs de outros casais, encontro poucas informações detalhadas sobre essa fase inicial do tratamento...alguém teria mais informações para dividir conosco? Sobre clínicas, formas de desconto, ROPA, etc...
Abraços a todos!
Mama C
domingo, 8 de julho de 2012
Lesgeek
Domingão, Mama B viajando... e eu, como sempre, curtindo meu momento "Alone in the dark" da forma mais corriqueira: assistindo zilhões de filmes no "cinepredador". Não gosto muito de fazer isso quando ela está aqui...parece que passo uma imagem de inútil, preguiçosa...pois é, depois de 4 anos de casamento, ainda tenho essas nóias sobre o que ela pode pensar se eu comer demais, se eu não deixar a casa clean, se eu sentar de perna aberta....hahaha...e lógico, se eu me jogar em uma maratona interminável de filmes consecutivos...Mas essa nóia faz parte do meu jeito leonino de pensar e agir...e estou rezando para que, realmente, o escorpião me domine (ouvi dizer que após os 30 anos, o ascendente predomina na personalidade e realmente parece que isso começa a fazer sentido...ou será a maturidade chegando?).
Pra variar um pouco, nesses momentos de ócio, costumo assistir Histórias da Ana <http://www.youtube.com/watch?v=ewOhQBAizrA>, que conta de forma muito bem-humorada o dia-a-dia de uma atriz e como ela se vira com as pedras no sapato. A Ana é uma graça, a naturalidade dela me encanta.
Outro canal que acompanho no Youtube é o Dedilhadas, adoro as risadas da Rô e o jeito meio blasé da Sassá, além dos comentários que mesclam assuntos importantes e tiradas sarcásticas...
Mas, na verdade, o meu comentário de hoje é sobre um "artigo" muito bem escrito que saiu em um site que, por incrível que pareça, só conheci agora... http://sapatomica.com/. Adorei o formato e a diversidade de assuntos, parabéns meninas do Sapatômica...
Nele http://sapatomica.com/blog/2012/07/08/juntar-as-escovas-voce-esta-preparada/, dentre outras coisas, há um trecho bem detalhado sobre união estável homoafetiva, o qual descrevo aqui:
Se você deseja oficializar com a União Estável Homoafetiva, a gente te conta o que é preciso:
- 1. As partes devem agendar uma data prévia para assinar a escritura da união estável no cartório.
- 2. Os documentos para serem apresentados são:
- 2.1. RG e CPF (ou CNH não vencida) de ambas as partes (o RG deve estar em bom estado de conservação e não pode ser replastificado);
- 2.2. Comprovante de residência atualizado das duas;
- 2.3. Certidão de óbito (caso a companheira já houver falecido). Neste caso também comparecer com 2 testemunhas que conhecem o casal;
- 2.4. Certidão de Nascimento (caso forem solteiras);
- 2.5. Certidão de casamento (caso forem separadas, divorciadas ou viúvas);
- 2.6. Certidão de nascimento dos filhos (caso houver);
- 3. Como é uma declaração homoafetiva, comparecer com 2 testemunhas que conheçam ambas partes munidas de RG e CPF;
- 4. Custo: R$267,92 (em Tucuruvi – SP, você pode ligar antes no cartório da sua cidade para saber o preço).
Formalizar ou não a união com sua companheira é uma opção sua, no entanto, devo ressaltar que ter a união formalizada pode ajudar muito em momentos da vida civil comum como, por exemplo, incluir sua companheira no seu plano de saúde! Agora que vocês já decidiram se vão ou não oficializar.
Abraços a todos...
Mama C
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